Opinião Filme

Persuasão


Título Original: Persuasion
Realizador: Roger Michell
Elenco: Amanda Root, Ciarán Hinds, Susan Fleetwood, Corin Redgrave
Género: Drama, Romance
Ano Estreia: 1995
Classificação IMDb: 7,7













Título Original: Persuasion
Realizador: Adrian Shergold
Elenco: Sally Hawkins, Alice Krige, Rupert Penry-Jones
Género: Drama, Romance
Canal Emissão: BBC
Ano Estreia: 2007
Classificação IMDb: 7,6












Vou divagar um pouco entre as duas versões, uma cinematográfica e outra televisiva, da adaptação feita ao romance de Jane Austen. A primeira versão é de 1995 realizada por Roger Mitchell, Anne Elliot é representada por Amanda Root e o Capitão Wentworth por Ciaran Hinds. A segunda versão é uma produção da BBC e tem como protagonistas Sally Hawkins e Rupert Penry-Jones. 



A versão de 1995 assenta mais na narrativa da própria obra literária sendo a versão mais fiel. Contem cenas e passagens que a versão televisiva dispensa. A versão da BBC foge um pouco ao livro mas consegue mesmo assim extrair a essência principal do livro, que é a resignação aos anos separação e sofrimento por se estar tão perto da pessoa amada e não se poder fazer nada. O final é completamente diferente dando o toque de romantismo de um homem que faz tudo pela pessoa amada, enquanto na de 1995, o Capitão finalmente concorda com ideia da irmã e do cunhado.




A história aborda a vida da jovem Anne Elliot que se vê dispensada pela família quando são obrigados a fazer contenções económicas. Desta maneira é enviada para passar uma temporada com a irmã mais nova Mary. Aí é obrigada a conviver com o seu amor de adolescência, o agora Capitão Frederick Wentworth, que se vê alvo de bajulação pela família do cunhado Charles Musgrove. Anne nunca se podia preparar para que a convivência, perto do homem que nunca deixou de amar apesar de já terem passado 8 anos, fossem de tanta indiferença. 
Pelos filmes conseguimos ver a pouca disposição com que a família Elliot trata Anne. E a maneira acolhedora e simpática com que é tratada pelos amigos. Contudo a maior característica que salta à vista é o orgulho que tanto Frederick como Anne transparecem para não darem o braço a torcer apesar de o desejarem, culminando num silencioso processo íntimo de persuasão de que os sentimentos não morreram apenas estavam adormecidos.
 



Sobre a escolha dos actores, li que muitas pessoas não gostaram da Sally Hawkins e que não existia química entre o casal. Pois aos meus olhos acho que ela fez um bom trabalho, a Anne represente uma jovem adulta que pouco se destaca em matéria de beleza, é vista como indiferente tanto pela aparência como pelas suas opiniões, e apesar de demonstrar coragem e sensatez, é submissa e pouco faz para lutar pelo homem que ama. Por isso Sally Hawkins soube dar-lhe esse toque de angústia. E quanto à química senti que existia mas sendo um filme de época e como eles estavam os dois ressentidos, é normal que tivessem um ar totalmente desapegado. Mas quando olhavam um para o outro parecia que o mundo parava. A versão de 1995 também funciona bem quanto à química existente, pois conseguem através das expressões convencer o espectador que entre eles podem tentam ignorar o óbvio mas para nós é demasiado explícito que ainda sentem alguma coisa.



E é este aspecto que sustenta ambas as versões, as expressões faciais e os olhares que as personagens principais presenteiam o espectador. Este trabalho foi tão bem feito que conseguimos perceber o que a personagem está a sentir mesmo que não o queira demonstrar aos outros. Claro, que sendo Anne calma e calada por natureza ninguém estranha o seu comportamento. Porém o Capitão tem a mesma atitude e consegue transmitir pelo olhar aquilo que não consegue exprimir por palavras e nem quer. A versão de 2007 utiliza muito o recurso ao close-up, em pelo menos dois momentos, permite ao espectador absorver todas as sensações transmitidas pelo grande plano de rosto à personagem em causa.


Um dos aspectos que detestei foi o guarda-roupa, em ambas as versões as mulheres vestem-se muito mal. Já os homens na segunda versão apresentavam-se bem mais elegantes, mas os da versão de 1995, que pertenciam à Marinha tinham uns chapéus odiosos. Sei que eram as vestes daquela altura mas não favoreciam ninguém.
E há uma parte na versão de 2007 que filmaram um passeio debaixo de uma chuvada valente mesmo ao pé do mar, e não conseguia deixar de pensar se não dava para o ter feito sem a chuva. Não é que essa parte necessitasse realmente de ter as personagens completamente encharcadas para animar as hostes.
E depois a parte do beijo foi um autêntico desastre em ambas as versões. Muito anti-climax.



Em conclusão, leiam o livro acho que ele transmite tudo o que um amor interrompido produz como consequências e o que elas podem ditar no futuro. 
Os filmes apesar de não serem más adaptações também não são filmes que se destaquem e que me irei relembrar com facilidade, tendo esse papel sido atribuido em exclusivo à obra literária.
Aqui está a minha opinião sobre o livro.







E vocês já viram algumas destas versões?



2 comentários:

  1. Como o livro não me marcou assim tanto acabei por não ver nenhuma das adaptações. Talvez um dia veja a de 2007. Apesar de gostar muito do Ciarán Hinds parece que não combina com a personagem:)
    Beijos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu adorei o livro mas como disse são daquelas adaptações que não me vou lembrar porque não me marcaram particularmente. Mas experimenta ver a 2007 nem que seja pelo actor principal ;P

      Eliminar